sexta-feira, 27 de junho de 2008

Enquanto dança
Fixo os olhos em você
Vejo você balançar,
Em um breve flutuar
Sobre os olhos que te devoram,
E os meus que te desejam.
Quando vejo você sorrir
Me atino para não gargalhar
E todos sorriem pra você
E teus lábios pequenos
Desenha no ar a alegria
E tudo quer era calmo
Ao teu redor
Se torna folia
É quando você me abraça
Como se todo o mundo o fizesse
Me deixa sufocado de prazer
Cercado de encanto
Os braços imóveis
As pernas a tremer
E quando você dorme
Encolhida como um anjo
Para que o mundo descanse
Velo o teu sono
Por oras a fio
E quando diz que me ama
Eu não acredito
Mas cobiço a verdade

quinta-feira, 26 de junho de 2008

QUANDO O SOL ERA QUADRADO

Eu que pensava já estar esgotado
Com o ciclo da vida completado,
Um livro, um filho e uma arvore plantado.

Pensava já ter por tudo suportado
Viver em conseqüência do pecado
E por todas ter sido apaixonado

Já ter aprendido e ensinado
Saber do futuro e do passado
E ter nas mãos meu destino traçado

Levo agora este golpe inesperado
Gostar de quem jamais teria imaginado
Em um momento onde tudo era quadrado

Que bom ter te encontrado
Teu lábio de gosto adocicado
Desperta o sonho recriminado

E gostar de ti, Sou culpado.
Insônia e choro derramado
E rogo ao anjo alado

Que nosso amor seja perdoado
E pelos deuses, abençoado.
Para que o dia, eis que sagrado.
Eu possa viver ao teu lado
"A dificuldade de dizer um não é maior que a responsabilidade da conseqüência do sim"

quarta-feira, 25 de junho de 2008

TRANSPASSE

Junto ao sofá em descanso (DESCASO)
Surpreso de uma nova era
Aguardasse sem demora a velhice

Pasmo sobre o cotidiano
E como quem não espera
Pontadas agudas me aturdisse

Mesmo que todo o meu corpo
Fosse tomado pela dor
E retorcendo ao leito caísse.

Que meus lábios petrificados
Tornasse a cor púrpura
E palavras não mais proferisse.

Se meus olhos fechasse
Em meio à escuridão eterna
A luz não mais visse.

Em gavetas cinzo metálicas
Paralelo ao horizonte
O sono me atraísse.

Se congelando sobre o frio
O meu corpo não estremecesse
E a natureza trai-se

Que no sepulcro aberto
De braços dados a terra
Sobre mim flores permitisse.

E privado de qualquer unção
Você sobre meus pés mentisse
Chorando em vão lagrimas de tolice

Servindo de alimento vil
Enrijecido permanecesse
Até que um dia sumisse

Ainda assim faria de você
Minha mais bela arma em riste
Pois de tudo que se foi
O meu amor por ti ainda resiste
“Não crie grandes expectativas para não ter enormes decepções”.

terça-feira, 24 de junho de 2008

A PROMESSA



Um churrasco, uma caixa de cerveja e sete amigos é a receita perfeita para a criação de um time. Desses que prometem ser o melhor do estado, e que em nove meses já estará participando da serie principal do campeonato brasileiro.
Entre os sete com certeza, terá um goleiro, um barrigudo, um que nunca jogou bola na vida e quatro centroavantes, todos os sete alegando que são donos da camisa de numero 10 (dez).
A discussão, a principio será para as posições distribuídas no campo, o barrigudo se nega a jogar na zaga, como solicita um dos centroavantes, o que nunca jogou nada na vida quer ser o treinador mesmo não sabendo que futebol se joga com os pés, o goleiro lacrimeja os olhos ao lembrar que quase fora titular no time do bairro.
A euforia toma conta de todos, menos em um dos centroavantes que já tombou de bêbado, a discussão esquenta, os nervos se afloram, quem vai bater o primeiro pênalti? As faltas de intermediaria? O que nunca jogou bola na vida pergunta o que é intermediaria. Aproveita a oportunidade e monta uma escalação, mas o time tem treze jogadores, o barrigudo revoltado com a possibilidade se ser o zagueiro, se torna o quinto centro avante do time, os nervos se alteram ainda mais, as vozes passam a ficar mais alto que a banda de pagode que no fundo toca “pagode do gago”, o goleiro quer ser o capitão do time.
Para por um instante pararam as discussão, pois acabaram as vinte e quatro cervejas do engradado, o barrigudo fica responsável de ir buscar outra, no seu fusca 78, de cor bege; os ânimos se acalmam.
O gordo volta com não vinte quatro mais quarenta cervejas em dois engradados, se revolta quando descobre que nem zagueiro é mais, que agora se tornou goleiro, e que o goleiro na sua ausência passou a ser o meia de armação time, em altos brados, começa a discutir veemente com o que não entende nada de futebol, que sugeriu a situação, nisso o que dormia acorda com os gritos e decide que quem vai montar o time é ele, pois teve um sonho enquanto dormia, que chegariam a disputar a final em Tokyo.
As cervejas passam a ser consumidas ainda em maior velocidade que antes, ninguém mais sabe quem comandar o time, e quem vai ser o único centroavante titular, decidem convidar o churrasqueiro para montar o time, e o “panderista” da banda para ser o lateral pela habilidade nas mãos.a esquerda.
Analisam qual esquema tático se encaixa melhor em um time com três ou quatro centroavantes
Ninguém mais se entende, a discussão passa das posições, vai para cor do uniforme, local da sede, tamanho do estádio até chegar aos patrocinadores. Eles todos empresários concordam na dificuldade em colaborar com a criação do time no aspecto financeiro.
Então pedem para o churrasqueiro mais um espeto, abrem mais um cerveja e passam a discutir sobre a Luana Piovanni.
E de comum acordo, entendem que montar um time não é algo para se fazer entre sete amigos.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

“Certeza talvez eu só tenha da duvida”

TEIA

ESTANDO AUSENTE
POR MAIS QUE BREVE
ME INCOMODA
ME ABORRECE
ME ATORDOA
ME ENLOUQUECE
DE BERROS
EM GRITOS
PREZO UMA PRECE
E QUANDO CHEGA
ESTABELECE
EM ENSAIOS
EXIGE
OU DÁ OU DESCE
E POR ENCANTO
OS MEUS OLHOS
ANTES FUNEBRES
SE ENCANDESCE
TORNA TRANSPARENTE
MEU MARFIM
QUE LOGO APARECE
E NO SEU JOGO
QUE DEVAGAR
VOCE TECE
ME TORNO
VITIMA
DO QUE ACONTECE

sexta-feira, 20 de junho de 2008

"Em toda tristeza, há um que de felicidade"

30/08/2006 – 10:07

SOMOS TODAS PEROLAS
COBERTAS DE AREIA
ESCONDIDAS NO FUNDO
JAMAIS ENCONTRADAS

SOMOS A ALUSÃO DA IMPERFEIÇÃO
TEMOS OS SONHOS DESGASTADOS
OS MEDOS REALIZADOS

SENTAMOS TODAS AS QUINTAS
PARA BEBERMOS NOSSAS DERROTAS

NOS DIAS ESPECIAIS
NOS DAO DE PRESENTE O ABANDONO
SENTIMOS E DESEJAMOS
PERDEMOS E CASTIGAMOS

CAMINHAMOS EM SENTIDO OPOSTO
E ACREDITAMOS VER O LADO REAL DA VIDA
POBRES E HIPOCRITAS
ENXERGAMOS POUCO E ALEM;
POUCO ALEM DE NOSSOS UMBIGOS

NOSSAS IDEIAS ALMEJAM
VOANDO EM CADEIRAS DE RODAS
AO OBJETO INCERTO

SOMOS MESMO UM FRACASSO
O DESPERDISSO DA ESPECIA HUMANA
A REFERENCIA DO MAL PARA O BEM
SOMOS MARGINAIS INSERIDOS NA "SOCIAL"

SUCESSAO É A PALAVRA
ESQUECIDA NA ADOLESCENCIA
E A ATRAÇÃO AINDA EXISTE
É UMA PENA QUE ELA SEJA PASSAGEIRA

SOMOS SENHORES FEUDAIS
APRISIONANDOS NEGROS
ESCRAVOS LIVRES

SOMOS VELHOS DEMAIS
PARA TOMARMOS ATITUDE
E SOMOS JOVENS DE MAIS
PARA A NOSSA VIVÊNCIA
SOMOS APENAS MAIS DO MESMO
SOMOS O QUE NINGUEM QUER SER
SOMOS O BRANCO, VAZIO ESPAÇO
SOMOS SIMPLES O FRACASSO